set 27 2010

O fariseu e o publicano

“qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado.” (Luc.18:14b)

Esta é uma mensagem destinada àqueles que confiam em si mesmos, crendo que são justos diante de Deus. É isso que disse o Senhor Jesus antes de contar a parábola do fariseu e do publicano (veja Luc.18:9). Antes de entrarmos nesta passagem, vamos analisar por qual motivo o Senhor Jesus desejou falar sobre esta história.

1. A DURA VERDADE

Em toda a Bíblia vemos muitas declarações de Deus com respeito a natureza injusta do homem, devido à existência do pecado. Lemos na Palavra de Deus que ninguém escapa deste triste quadro: “Deus olhou desde o céu para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento e buscasse a Deus. Desviaram-se todos, e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não há nenhum sequer.” (Sal.53:2,3)

Mediante a essa verdade, a qual nos mostra que ninguém é justo, podemos perceber o motivo que levou o Senhor Jesus a nos transmitir esta mensagem. O Senhor Jesus, na ocasião desta passagem, estava diante de pessoas que se consideravam justas: os fariseus. Para estes disse Jesus: “Vós sois os que vos justificais diante dos homens, mas Deus conhece os vossos corações, porque o que entre os homens é elevado, perante Deus é abominação” (Luc.16:15) Estes homens buscavam praticar os mandamentos da Lei para serem salvos. E além disso, consideravam-se melhores que os outros. E o Senhor Jesus, sendo o próprio Deus, Santo, Puro e Justo, não podia tolerar a hipocrisia daqueles homens, os quais tornavam a verdade de Deus em mentira, pois está escrito: “Se dissermos que não pecamos, fazemos Deus mentiroso, e Sua Palavra não está em nós.” (IJo.1:10) E para esclarecer este assunto, o Senhor conta a parábola do fariseu e o publicano.

2. A HISTÓRIA QUE ENSINA

O fariseu e o publicano sobem juntos ao templo para orar (Luc.18:10). O que estava em questão era a oração destes homens. Ambos estavam em pé, porém com atitudes diferentes diante de Deus. O fariseu se exaltou diante de Deus em sua oração, e o publicano, pelo contrário, derramou a sua alma diante de Deus, humilhando-se. Duas orações, mas apenas uma foi aceita diante de Deus.

O fariseu começa a sua oração aparentemente bem: “Ó Deus, graças te dou…” Mas veja o prosseguimento: “…porque não sou como os demais homens”. Ele começa agradecendo a Deus por ser diferente dos demais homens, estes que (como ele diz) são “roubadores, injustos e adúlteros,…”, sendo que o próprio Deus tem nos mostrado que todos, independente do que fazem ou deixam de fazer, são pecadores! Ele termina esta parte da oração desprezando o publicano, que estava também orando no mesmo lugar que ele, dizendo: “(eu) não sou…nem ainda como este publicano”. Ele se considerava, diante de Deus, melhor que os outros. Perceba que sua oração exalta e engrandece a si mesmo, não a Deus, porque falava o que ele não fazia. Depois ele ora a respeito do que ele fazia, novamente se exaltando: “(eu) jejuo…, (eu) dou os dízimos…” (vs.11,12). Esta oração reflete uma vida confiante em si mesma, enfim, uma oração de uma pessoa que se acha justa.

Você pensa assim? Quando você imagina o céu, você começa a recordar do que fez de bom, e o que não fez de ruim, e chega a conclusão que Deus irá te receber no céu? Não se iluda. A Deus não se engana.

“O publicano, porém,…” (Luc.18:13). A oração do publicano foi bastante distinta da do fariseu. Este homem, em sua oração, não estava dizendo a Deus o que ele fazia ou o que ele não fazia, mas sim o que ele era. Perceba como estava este publicano antes da sua oração: “estando de pé, de longe, nem queria levantar os olhos ao céu…” Este publicano temeu diante da santidade de Deus, permanecendo de longe. E não se achou digno de nem ao menos levantar seus olhos ao céu. Não se considerou justo diante de Deus, muito pelo contrário. Estando neste estado de humildade, clama a Deus dizendo: “Ó Deus, tem misericórdia de mim, um pecador.” Ele dependia da misericórdia de Deus, ou seja, dependia da compaixão de Deus frente a sua miséria e imundícia. Era tudo que Deus queria ouvir dele. O mesmo serve para você, amigo leitor.

Finalizando a parábola, o Senhor Jesus disse que o publicano foi para casa JUSTIFICADO, o que não aconteceu com o fariseu. Todos os que se exaltam serão humilhados, quando Deus trará a luz o que estava oculto e condenará aqueles que não se arrependeram. Mas os que se humilham, como o publicano, por reconhecer a sua culpa e por clamar por salvação, serão exaltados, quando o Senhor Jesus como toda a Sua glória será exaltado naqueles que confiam nEle como Salvador.

Querido leitor, nenhum de nós merece o céu. Somos pecadores, e não há como escapar desta realidade. Realidade esta que nos deixa longe de Deus e nos torna merecedores do inferno. Mas há uma boa notícia: Deus é misericordioso! Ele odeia o pecado sim, mas ama o pecador: você e eu! Tanto nos ama que preparou uma grande salvação para nós. O Senhor Jesus morreu no nosso lugar, pagando o preço dos nossos pecados. Ele verdadeiramente diz: “Se não vos arrependerdes, todos de igual modo morrereis.” (Luc.13:3,5) Mas também, amorosamente nos diz: “Todo aquele que crê em mim, tem a vida eterna” (Jo.6:47).

Não faça como o fariseu. Não pense que Deus irá te levar para o céu pelo que você faz ou deixa de fazer, pois “o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei” (Rom.3:28). Humilhe-se perante o Senhor, confessando a Ele que é um pecador e confie no Senhor Jesus como o teu Único e Suficiente Salvador.

Disse Jesus: “Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores ao arrependimento”. Você se julga uma pessoa justa?

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