mar 23 2012

Um Tribunal diferente (III)

“Toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus” (Romanos 3:19)

Quanto mais estudamos sobre o “Tribunal Diferente” que a Bíblia apresenta, mais surpresos ficamos diante das verdades reveladas. Mas não podemos parar. Precisamos continuar descobrindo como funciona esse Tribunal. Já vimos sobre o Supremo Juiz, o Promotor e a Testemunha. Para terminar esta parte, vamos considerar mais dois personagens: o Réu e a Defesa. Antes de identificá-los, porém, precisamos descobrir do que e por quê o Réu está sendo acusado.

A Razão da Acusação

Há uma verdade simples e inquestionável que envolve uma acusação: ninguém pode sentar-se na cadeira do Réu sem ter uma razão que o faça merecedor de estar ali. Em todas as esferas que envolvem uma pessoa, sabe-se desde cedo que há limites e Leis que não devem ser ultrapassados ou desrespeitados. Caso sejam, o infrator se coloca debaixo de uma possível punição. Em termos claros, o Réu é o personagem que está sendo acusado de ter infringido alguma Lei, mas pode usar provas, palavras ou pessoas para explicar e, assim, tentar provar se é ou não inocente. Esta é a Defesa.

Se vamos considerar o Réu, então precisamos saber qual é a acusação. Em I João3:4 diz: “O pecado é iniqüidade” e 5:17 diz: “toda a iniqüidade é pecado”. Repare que nos dois versículos as palavras estão invertidas, mas a verdade é a mesma. Se alguém comete pecado, ele comete iniquidade; se comete iniquidade, ele comete pecado. A palavra “iniquidade” é a tradução da palavra grega anomia que, de acordo com W. E. Vine, quer dizer “ilegalidade”, “injustiça”, formada de a – elemento de negação – e nomos – “lei” – (Dicionário Vine, pág. 712). Fica evidente, portanto, que, quando alguém não respeita (transgride) uma lei, ele está cometendo pecado. Além disso, uma pessoa que tem prazer em viver pecando, está claramente excluindo Deus de sua vida, tendo prazer em desobedecer Seus princípios e vontade. Esta é a acusação!

Personagens Envolvidos

Réu – dois povos, um grupo. Há dois povos que a Bíblia apresenta como sendo os Réus no Tribunal de Deus. Juntando estes dois, eles formam um grupo. Vejamos quais são:

a) Gentios. Na Bíblia, os Gentios são, basicamente, todos os povos em contraste ao povo Judeu. Ou seja, por questão de nascimento, uma pessoa é Gentia (porque não pertence ao povo Judeu) ou é Judia (porque pertence ao povo judeu). Em Romanos 1:18-32 a ênfase é diretamente dirigida aos gentios. A lista de pecados é enorme e feia, mas exemplifica exatamente as práticas comuns das pessoas que preferem viver sem Deus. Ao final da lista, no versículo32, a Bíblia declara três coisas que os homens sabem:

  • “Conhecendo a justiça de Deus” – sabem que a Justiça de Deus exige um comportamento diferente.
  • “Que são dignos de morte os que tais coisas praticam” – sabem que a morte (separação eterna de Deu) é o resultado bem merecido de seus atos.
  • “Não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem” – sabem que outras pessoas desfrutam do mesmo pecado que elas, mas ao invés de avisá-las, as incentivam ainda mais.

b) Judeus. Na Bíblia, o povo Judeu é um povo rico em privilégios. A partir de Gênesis cap. 12, é o povo com quem Deus tratou em todo o restante do Antigo Testamento e parte do Novo Testamento. Mas, se Romanos capítulo 1 destaca a justa condenação dos Gentios, Romanos capítulo 2 destaca a justa condenação dos Judeus. Eles tiveram muitos privilégios: receberam Leis diretamente de Deus, os homens tinham um sinal no corpo para diferenciá-los dos demais povos, a eles foi confiada a Palavra de Deus, etc. Todos estes privilégios, porém, não os deixam impunes quanto ao pecado. Deus os coloca na cadeira dos réus sob a acusação de terem pecado contra Ele.

c) O Mundo. Juntando os dois povos acima (Gentios e Judeus), temos um grupo – o Mundo. E é exatamente deste grupo que se ocupa Romanos cap.3. A partir do versículo 9 (até o final do capítulo) a Bíblia mostra que Judeus e Gentios formam o Mundo, e que o mundo está “debaixo do pecado” (v. 9).

Não importa a que povo você pertençe. Seja judeu, seja gentio, todos pecaram e, portanto, todos passaram dos limites, transgredindo a revelação, vontade e ordens de Deus. Todos são réus!

Defesa – sem argumentos. Num Tribunal, o Réu tem o direito de apresentar sua defesa. Ele não é obrigado a apresentar provas contra si mesmo, mas tem o direito de apresentá-las a seu favor. Neste Tribunal que a Bíblia apresenta, porém, os Réus não tem provas de inculpabilidade. Não podem levar uma pessoa para defendê-lo, pois serão “julgados cada um” (Ap 20:13). O tratamento é individual e pessoal diante do Juiz. Não podem dizer que não conheciam a Deus, pois tiveram meios de conhecê-Lo pela criação (Rm 1:18-20) e pela revelação na Sua Palavra (Rm 2:17, 18). Não podem dizer que transgrediram por ignorância, porque a Bíblia declara que todos são conhecedores da Sua justiça (Rm 1:32). Não podem dizer que são justos, que buscavam a Deus ou que faziam o bem (Rm 3:10-18). Só há uma “defesa” favorável aos Réus no Tribunal de Deus – “Toda a boca esteja fechada” (Rm 3:19)!

Caro amigo, você é um pecador e isto é uma evidencia de que você transgride a Lei de Deus. Neste Tribunal apresentado na Bíblia, você é o Réu! Não importa se você é judeu, ou se você pertence a qualquer outra nacionalidade. A cadeira do Réu é sua por merecimento. Você transgride os limites e vontades de Deus conscientemente, e não pode negar isso. Mas sua situação pode mudar! Deus quer que você creia no Filho dEle, o Senhor Jesus. Este é o único e perfeito meio pelo qual você pode ser salvo. Quem crê no Senhor Jesus “não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” (Jo 5:24).

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