A desobediência e seu castigo (II)

Esta é a segunda e última parte de um estudo bíblico, baseado no capítulo 13 de I Reis, transmitido por Sérgio F. Braz (irmão que reúne na igreja de Deus que está em Niterói-RJ) em meados de 2012.

PARTE 2 – INOPERÂNCIA NA OBRA DE DEUS

“E ele lhe disse: Também eu sou profeta como tu, e um anjo me falou por ordem do SENHOR, dizendo: Faze-o voltar contigo à tua casa, para que coma pão e beba água (porém mentiu-lhe)” (I Reis 13:18)

O profeta velho ganhou o seu hóspede através de uma mentira, porém, assim levou à desobediência e à morte do homem de Deus (vs 18). Uma importante lição que aprendemos com este acontecimento é que o profeta velho morava em Betel. Deus não usou o profeta velho, mas trouxe um profeta de longe, de Judá, para clamar contra o altar. Qual seria o motivo de o profeta velho não ter sido usado nesta obra em sua casa, na sua cidade, Betel? Pode ser que o profeta velho estava inoperante, “enferrujado”. Talvez deixou que o tempo apagasse da sua mente a realidade dos valores espirituais. Podia ele estar tão acostumado com o pecado que já havia se familiarizado com ele. Tudo aquilo se tornara comum a seus olhos, não tinha mais sensibilidade, não sofria, não chorava ao ver o pecado da cidade. ATENÇÃO! Devemos ter cuidado para que o tempo não apague esses valores da nossa mente e coração.

O profeta velho nos lembra o cristão que tem 2, 5, 10, 20, ou mais anos que foi salvo, mas não se importa com o crescimento na vida cristã. Preocupa-se apenas com o crescimento profissional, material, mas não tem compromisso, e nem quer tê-lo, nem visão das necessidades da obra de Deus, mesmo na localidade onde reúne. Infelizmente o profeta velho nos lembra um cristão imaturo que foi salvo ainda jovem, mas os anos passaram e envelheceu sem nunca se ocupar com o Senhor e Sua obra. Adaptou-se com extrema facilidade à letargia e pecaminosidade, que lhe tirou a sensibilidade e a visão dos valores morais e espirituais. O profeta velho lembra-nos ainda o cristão sem metas na vida cristã. Foi salvo um dia, mas não almeja mudanças, crescimento, não almeja envolver-se e tornar-se útil na vida da igreja. Com isso, esquecem da advertência do Divino mestre: “Buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça” (Mateus 6:33).

Nós, crentes dessa geração, devemos ter os nossos olhos abertos, pois o cristão que assim vive, identifica-se com o profeta velho, torna-se um cristão enferrujado, suas metas na vida cristã são corroídas pela ferrugem, esta se apodera da identidade do cristão, e a sua luz não consegue brilhar. Uma vida cristã estagnada, como que dominada pela “ferrugem”, é uma vida vazia, onde não se vê alegria, regozijo e satisfação. Quantos crentes não se encontram nesta triste situação? Quantos não vivem nessa condição mesquinha, sabendo que, como filhos de Deus, temos tudo para vivermos uma vida frutífera, feliz e abundante?

Efésios 1:3 diz: “Tendo em vista que temos sido abençoados com toda sorte de benção espiritual”. Temos uma viva esperança, inclusive temos tudo para que a nossa vida brilhe.
Astuciosamente a ferrugem é introduzida na vida do cristão de várias maneiras. A tecnologia, os eletroeletrônicos e a indústria do entretenimento têm sido grandes e eficazes armas nas mãos de Satanás para anular o testemunho do crente, impedindo o seu crescimento espiritual. Há pessoas que passam 4 a 5 horas diárias na frente de um computador, mesmo fora do trabalho. O que dizer da televisão, com seu alto poder de prender as pessoas em suas programações? E quando nos deixamos ser dominados por essas armas, todo tempo que temos serão dedicados a elas, e quando abrirmos nossos olhos, veremos a dimensão do prejuízo. Podemos ter perdido anos, todos corroídos pela “ferrugem”, vidas emperrados, sem crescimento. E o pior é olhar e ver que nos parecemos com o profeta velho, sem utilidade, sem poder em nossas vidas. O Senhor tem que chamar alguém de outra cidade, outro bairro, para fazer o que deveríamos estar fazendo na nossa cidade, na nossa família.

Outra lição importante neste incidente é que não podemos ser guiados por revelação que outro alega ter recebido. Toda revelação está na Bíblia, como Paulo diz aos Gálatas, no cap.1 e v.8… “Ainda que nós, ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema (amaldiçoado)”. Toda revelação está nas Escrituras. O homem de Deus se deixou enganar pelo profeta velho, que usou de astúcia e aparência de espiritualidade. No v.8, o homem de Deus não voltou com o rei, mesmo que ele o desse metade da sua casa, mas no v.18, diante de uma aparência de espiritualidade, ele voltou.

Outra importante lição: Não devemos fazer o serviço do Senhor relaxadamente. “Maldito aquele que faz a obra do Senhor relaxadamente” (Jer.48.10). Seja pregando a palavra, zelando do lugar onde reunimos, distribuindo folhetos, todo trabalho feito em nome do Senhor, deve haver dedicação e zelo.

Que este tempo de queda e afastamento dos valores espirituais na nação de Israel, possa servir de despertamento para a Igreja, para nós que fomos salvos para vivermos em novidade de vida, em meio a um mundo que vive descaradamente se afastando cada vez mais de seu Criador.

Sérgio F. Braz

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